quinta-feira, 28 de setembro de 2017

Capítulo 128 - Desculpismo 🌹

“ E todos a uma vez começaram a escusar-se. Disse lhe o primeiro:
comprei um campo e importa ir vê-lo; rogo-te que haja escusado.” Jesus – ( Lucas, 14:18)


Desculpismo sempre foi a porta de escape dos que abandonam as próprias obrigações.


Irmãos nossos que tiveram a infelicidade de escorregar na delinqüência costumam justificar-se com vigoroso poder de persuasão, mas isso não lhes exonera a consciência do resgate preciso.


Companheiros que arruínam o corpo em hábitos viciosos arquitetam largo sistema de escusas, tentando legitimar as atitudes infelizes que adotam, comovendo a quem os ouve, entretanto, acabam suportando em si mesmos as conseqüências das responsabilidades a que se afeiçoam.


E, ainda agora, quando a Doutrina Espírita revive o Evangelho, concitando os homens à construção do bem na Terra, surgem às pencas desculpas disfarçando deserções:


- Estou muito jovem ainda...


- Sou velho demais...


- Assumi compromissos de monta e não posso atender...


- Minhas atribulações são enormes...


- Obrigações de família estão crescendo...


- Os negócios não me permitem qualquer atividade espiritual...


- Empenhei-me a débitos que me afligem...


- Os filhos tomam tempo...


- Problemas são muitos...


Tantas são as evasivas e tão veementes aparecem que os ouvintes mais argutos terminam convencidos de que se encontram à frente de grande sofredores ou de criaturas francamente incapazes, passando até mesmo a sustentá-los na fuga.


Os convidados para a lavoura de luz, no entanto, engodados por si próprios, acordam para a verdade no momento oportuno e, atados às ruinosas conseqüências da própria leviandade, não encontram outra providência restauradora senão a de esperarem por outras reencarnações.
Capítulo 129 - Na Fonte Do Bem 🌹

“Então, enquanto temos tempo, façamos bem a todos...” Paulo (Gálatas, 6:19.)

Muita gente só admite auxílio eficiente, quando o dinheiro aparece.


Entretanto, há serviços que o ouro não consegue remunerar.


Há vencimentos justos para os encargos do professor; todavia, ninguém pode estabelecer pagamento aos sacrifícios com que ele abraça os misteres da escola.


Existem honorários para as atividades do médico; no entanto, pessoa alguma logrará recompensar em valores amoedados o devotamento a que se entrega o missionário da cura, no socorro aos enfermos.


Não se compra estímulo ao trabalho. Não se vende esperança nos armazéns.


O sorriso fraternal não é matéria de negócio. 


Gentileza não é artigo de mercado.

Onde a vida te situe, aí recolherás, todo dia, múltiplas ocasiões de fazer o bem.


Nem sempre movimentarás bolsa farta para mitigar a penúria alheia, mas sempre disporás da frase confortadora, da oração providencial, da referência generosa, do gesto amigo.


O Apóstolo Paulo reconhece que, às vezes, atravessamos grandes ou pequenos períodos
de inibições e provações, pelo que nos recomenda: “enquanto temos tempo, façamos o bem a todos”; contudo, mesmo nas circunstâncias difíceis, urge endereçar aos outros o melhor ao nosso alcance, porque segundo as leis da vida, aquilo que o homem semeia, isso mesmo colherá.
Capítulo 130 - Na Luz Da Verdade 🌹

"E conhecereis a verdade e a verdade vos libertará." (João, 8:32.)

Nenhuma espécie de amor humano pode comparar-se ao Divino Amor.


Semelhante apontamento deve ser mencionado, toda vez que nos inclinemos a violentar o pensamento alheio.


A Bondade Suprema, que é sempre a bondade invariável, deixa livres as criaturas para a aquisição do conhecimento.


A vontade do Espírito é acatada pela Providência, em todas as manifestações, incluindo aquelas em que o homem se extravia na criminalidade, esposando obscuros compromissos.


A pessoa converte, pois, a vida naquilo que deseje, sob a égide da Justiça Perfeita que reina em todos os distritos do Universo, determinando seja concedido a cada um por suas obras.


Elegemos os tipos de experiência em que nos propomos estagiar, nessa ou naquela fase
da evolução. Discórdia e tranqüilidade, ação e preguiça, erro e corrigenda, débito e resgate são frutos de nossa escolha.


Respeitemo-nos, assim, uns aos outros.


Não intentes constranger o próximo a ler a cartilha da realidade por teus olhos, nem a interpretar os ensinamentos do cotidiano com a cabeça que te pertence.


A emancipação intima surgirá para a consciência, à medida que a consciência se disponha a buscá-la.


Rememoremos as palavras do Cristo: "conhecereis a verdade e a verdade vos libertará".


Note-se que o Mestre não designou lugar, não traçou condições, não estatuiu roteiros,
nem especificou tempo. 


Prometeu simplesmente — "conhecereis a verdade", e, para o acesso à verdade, cada um tem o seu dia.
Capítulo 131 - Diante Do Conformismo 🌹

“E não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus”. Paulo (Romanos, 12:2.).

Há conformação e conformismo.


Conformismo é o sistema de ajustar-se alguém a todas as circunstâncias.


Conformação é a submissão voluntária e serena da pessoa às aperturas da vida.


Existem, por isso, diante de Jesus, os discípulos conformados e conformistas.


Os conformados são fiéis às disciplinas que o Mestre lhes aconselha.


Os conformistas, porém, adaptam-se, mecanicamente, às convenções e ilusões que
lubrificam os mecanismos das conveniências humanas.


Confessam respeito ao Cristo, mas não hesitam no desacato aos ensinamentos Dele, quando se trate de preservar o conforto material excessivo em que se amolecem.


Dizem que Jesus é a única estrada para a regeneração do mundo; no entanto, esposam
qualquer expediente da maioria em que a astúcia ou a clandestinidade lhes favoreçam o interesse individual.


Adotam exterior irrepreensível nos templos, e diretrizes inconfessáveis no intercâmbio
com o próximo.


Distinguem-se na rua pela cortesia e pelas frases ponderosas, e andam, em casa, destemperados e agressivos, à maneira de furacões pensantes.


Entendamos, desse modo, o sábio apontamento do apóstolo Paulo, aprendendo a suportar com paciência os enganos do mundo, sem nos acomodarmos com eles, certos de que é preciso manter indefectível lealdade à aplicação dos preceitos evangélicos a fim de que se nos renove o entendimento.


Apenas abraçando semelhante orientação básica, ser-nos-á possível desintegrar as escamas do egoísmo cronificado em que respiramos, há séculos, para compreender os desígnios de Deus, na construção de nossa felicidade.
Capítulo 132 - Diante Da Providência 🌹

“Procura apresentar-te a Deus, aprovado como obreiro que não tem de que se envergonhar...” – Paulo. (II Timóteo, 2:15.)

Digna de registro a observação do apóstolo Paulo a Timóteo, sobre a melhor maneira de mostrar-se a Deus.


Contrariamente à inquietação de muitos religiosos do mundo que aspiram ao supremo destaque espiritual, o amigo da gentilidade, cuja fé amadurecera em ásperos testemunhos de sofrimento, não recomenda ao discípulo qualquer aquisição de atributos especiais.


Não lhe pede entretecer láureas de herói para a cabeça e nem lhe aconselha demandar o
excelso encontro, alardeando certidões de santidade.


Não articula regras, a fim de que se sobreponha à presença dos outros e nem lhe traça penitências ou rituais, tendentes a bajular a Paternidade Divina.


Roga-lhe simplesmente viver de tal modo que possa comparecer, diante de Deus, na
posição do trabalhador de reta consciência, honrado nas obrigações bem cumpridas.


Se queres, por tua vez, atingir a Esfera Superior, para compartilhar as alegrias dos que se
identificaram com o, Infinito Amor, não te percas em fantasiosa expectativa de imunidade
perante a Lei.


Atende, cada dia, aos deveres que a vida te prescreveu, leal ao serviço e à paciência, e
estejamos convencidos de que a mais alga forma de apresentar-nos à Providência será sempre a do obreiro honesto, aprovado na tarefa de que foi incumbido e que nada tenha de que se envergonhar.

quarta-feira, 27 de setembro de 2017

Capítulo 133 - Em Torno Da Liberdade 🌹

“Porque vós, irmãos, fostes chamados à liberdade. Mas não useis da liberdade para dar ocasião à carne; antes, pelo amor, servi-vos uns aos outros”. – Paulo. (Gálatas, 5:13.)

Quanto mais se agiganta a evolução intelectual da Terra, mais se propalam reclamos em torno da Liberdade.


Há povos que se batem por Liberdade mais ampla.


Aparecem os chamados campeões da liberdade, levantando quartéis de opressão e esfogueadas legendas de rebeldia.


Fala-se em mais Liberdade para a juventude.


No entanto, basta uma vista de olhos, nas máquinas aperfeiçoadas do mundo moderno,
para que se reconheça o impositivo inevitável da disciplina.


O automóvel chispa, vencendo barreiras, mas, se o motorista foge do equilíbrio ao volante ou se desobedece aos sinais do trânsito, o acidente sobrevém.


O avião devora distâncias, transportando o homem, através de todos os continentes, no
espaço de poucas horas; todavia, se o piloto não atende aos planos traçados na direção,
o desastre não se faz retardio.


Louvemos a liberdade, sim, mas a liberdade de construir, melhorar, auxiliar, elevar...


Ninguém, na Terra, foi mais livre que o Divino Mestre. Livre até mesmo da posse, da tradição, da parentela, da autoridade. Entretanto, ninguém mais do que ele se fez escravo dos Desígnios Superiores, para beneficiar e iluminar a comunidade.


Eis porque nos adverte o apóstolo Paulo, sensatamente: “fostes chamados à liberdade,
mas não useis a liberdade, favorecendo a devassidão; ao invés disso, santifiquemos a
liberdade, através do amor, procurando servir.”
Capítulo 134 - Pão🌹

“Eu sou o pão da vida.” – Jesus.
(João, 6:48.)


Importante considerar a afirmativa de Jesus, comparando-se ao pão.


Todos os povos, em todos os tempos, se ufanam dos pratos nacionais.


As mesas festivas, em todas as épocas, banqueteiam-se com viandas exóticas.


Condimentação excitante, misturas complicadas, confeitos extravagantes, grande cópia de animais sacrificados.


Às vezes, depois das iguarias tóxicas, as libações de entontecer.


O pão, no entanto, é o alimento popular. Ainda mesmo quando varie nos ingredientes que o compõem e nos métodos de confecção em que se configura, é constituído de farinha amassada e vulgarmente fermentada e que, depois de submetida ao calor do forno, se transforma em fator do sustento mundial. Sempre o mesmo, na avenida ou na favela, na escola ou no hospital. Se lhe adicionam outra espécie de quitute, entre duas fatias, deixa de ser pão. Se lançado à formação de acepipe que o absorva, naturalmente desaparece.


O pão é invariavelmente pão.


Quando alguém te envolva no confete da lisonja, insuflando-te vaidade, não te dês à
superestimação dos próprios valores. Não te acredites em condições excepcionais e nem
te situes acima dos outros.


Abraça nos deveres diários o caminho da ascensão, recordando que Jesus – o Enviado
Divino e Governador Espiritual da Terra – não achou para si mesmo outra imagem mais
nobre e mais alta que a do pão puro e simples.

terça-feira, 26 de setembro de 2017

Capítulo 135 - Diante Do Mestre 🌹

“Vós sereis meus amigos se fizerdes o que vos mando." - Jesus -

Aspirando ao titulo de amigos do Senhor, urge não lhe perdermos as instruções.


Imbuídos e entusiasmo, somos pródigos em manifestações exteriores, quanto a esse propósito, acrescendo notar que quase todas elas se caracterizam por alto valor indutivo.


Esforçamo-nos por estudar-lhe palavras e atitudes: e, claramente, não dispomos de quaisquer recursos outros para penetrar-lhes o luminoso sentido.


Administramos conselhos preciosos, em nome dele, sem que nos seja permitido manejar veiculo mais adequado às circunstâncias, a fim de que irmãos nossos consigam encontrar a direção ou o caminho de que se mostram carecedores.


Escrevemos páginas que lhe expressam as diretrizes; e não nos cabe agir de outro modo
para que se nos amplie, na Terra, a cultura de espírito.


Levantamos tribunais, em que lhe retratamos o ensino pelo verbo bem-posto, sendo necessário que assim procedamos, difundindo esclarecimentos edificantes que nos
favoreçam a educação dos sentimentos.


Realizamos pesquisas laboriosas, ajustando as elucidações inspiradas por ele aos preceitos gramaticais em voga, competindo-nos reconhecer que não existe outra via senão essa para fazer-lhe a orientação respeitada nas assembléias humanas.


Entretanto, isso não basta.


Ele mesmo não se limitou a induzir. demonstrando a própria união com o Eterno Bem, consagrou-se a substancializá-lo na construção do bem de todos.


Em verdade, podemos reverenciar o Cristo, aqui e ali, dessa ou daquela forma, resultando, invariavelmente, alguma vantagem de semelhante norma externa; mas, para sabermos como usufruir-lhe a sublime intimidade, é forçoso lhe ouçamos a afirmação categórica: "Vós sereis meus amigos se fizerdes o que vos mando".
Capítulo 136 - Na Vitória Real 🌹

“Tende bom ânimo; eu venci o mundo.” - Jesus (João 16:33)

É importante enumerar algumas das circunstâncias difíceis em que se encontrava Jesus, quando asseverou perante os discípulos: “tende bom ânimo; eu venci o mundo”.


Ele era alguém que, na conceituação do mundo, não passava de vencido vulgar.


Sabia-se no momento de entrar em amarga solidão.


Confessava que fora incompreendido pelos homens aos quais se propusera servir.


Não ignorava que os adversários lhe haviam assaltado a comunidade em formação, através de um amigo invigilante.


Dirigia-se aos companheiros, anunciando que eles próprios seriam dispersos.


Falava, sem rebuços, da flagelação de que seria vítima.


Via-se malquisto pela maioria, perseguido, traído.


Não desconhecia que lhe envenenavam as intenções.


Certificara-se de que as pessoas mais altamente colocadas eram as primeiras a examinar o melhor processo de confundi-lo.


Percebera o ódio de que se tornara objeto, principalmente por parte daqueles que pretendiam açambarcar o nome de Deus, a serviço de interesses inferiores.


Reconhecia-se a poucos passos da morte, a que se inclinaria, condenado sem culpa.


Entretanto ele dizia: “tende bom ânimo; eu venci o mundo”.


Quanto te encontres em crise, lembra-te do Mestre.


Subjugado, seria o conquistador inesquecível.


Batido, passaria à condição de senhor da vitória.


Assim ocorre, porque os construtores do aperfeiçoamento espiritual não estão na
Terra para vencer no mundo, mas notadamente para vencer o mundo, em si mesmos, de
modo a servirem ao mundo, sempre mais, e melhor.
Capítulo 137 - Crença 🌹

“Crês que há um só Deus e fazes o bem. Mas os demônios também o crêem e Estremecem.” (Thiago, 2:19).

Alguns momentos de reflexão no Evangelho sacodem-nos o raciocínio, para que
venhamos despertar no reconhecimento de nossas responsabilidades em matéria de crença.


Asseveramos, a cada passo, a convicção iniludível, quanto à existência de Deus.


Habitualmente, enquadramos à vida mental a determinado tipo de interpretação religiosa, a fim de reverenciá-lo, através do modo que supomos mais digno.


Construímos santuários para honrar-lhe a munificência.


Pretendemos enobrecê-lo em obras de arte.


Sabemos admirar-lhe a sabedoria, seja na grandeza do firmamento ou na simplicidade do
chão.


Certificamo-nos de que as suas leis são inelutáveis, desde as que foram estatuídas para a
semente até as que traçam caminho às constelações.


Articulamos preces em louvor ou de súplica, nas quais lhe endereçamos os anseios mais íntimos.


Receitamos confiança em Deus para todos aqueles que ainda não conseguiram entesourá-la.


Ás vezes, chegamos até mesmo ao entusiasmo infantil dos que imaginam adivinhar
as opiniões de Deus, nisso ou naquilo.


Todas essas atitudes nascem da pessoa que reconhece a imanência de Deus.


Entretanto, os Espíritos perversos também sabem que Deus existe.


Crença por crença, há crença nos planos superiores, e há crença nos planos inferiores.


Meditemos nisso para considerar que, acima de tudo, importa saber o que estamos fazendo de nossa fé.
Capítulo 138 - Ordem 🌹

“Mas faça-se tudo decentemente e com ordem” Paulo (Corintios, 14:40)

Todos os êxitos da ciência humana se verificam na base da ordem estabelecida pela Sabedoria Divina, em todas as esferas da Criação.


A Astronomia assinala com antecedência determinados fenômenos que se verificarão no Cosmo, à face do equilíbrio em que se regem os movimentos do Universo.


A Medicina formula prognósticos exatos, em vista de contar com a regularidade das ocorrências orgânicas no veículo físico.


Em qualquer região da Terra, é possível prever as horas de sombra e de luz.


Cultivadores orientam atividades na gleba, segundo as estações.


A planta produz, conforme a espécie, e toda enxertia praticada pelo homem se caracteriza por limitações definidas, nas estruturas do reino vegetal.


Tudo na Obra Divina se engrena em princípios de harmonia.


Abstenhamos-nos, pois, de tumultuar as construções do espírito, com a desculpa de
exaltar a caridade ou com o pretexto de cumprir a vontade de Deus.


Evolução e aperfeiçoamento constituem realização de todos, atribuindo tarefas a cada um.


A primeira mostra do Desígnio da providência, seja onde for, aparece no dever a que somos chamados na construção do bem comum.


Sejamos assim, leais ao encargo que nos compete.


Qualquer engenho, para atender com segurança, pede ordem. E a ordem solicita se
afirme cada peça em seu justo lugar.
Capítulo 139 - Religião Pura 🌹

“A religião pura e imaculada para com Deus, o Pai, é esta:visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações
e guardar-se da corrupção do mundo”. (Tiago, 1:27)


Religião, diante das criaturas humanas, pode envolver atitudes diversas: Polemicar em torno dos atributos de Deus...


Aditar interpretações individuais às revelações sublimes...


Centralizar a mente na exegese ...


Consumir a existência em casuísmo ...


Reexaminar princípios veneráveis em horas certas...


Atender a ritualismos ...


Enriquecer a simbologia ...


Adotar posturas convencionais ...


Cultivar penitências vazias...


Levantar monumentos de pedra...


Ninguém nega que essas manifestações deixem de ser atestados de religião e religiosidade entre nós outros, as criaturas encarnadas e desencarnadas na Terra; e ninguém recusa o valor relativo que apresentem para determinadas pessoas, em certos
estágios de evolução.


Entretanto, o Evangelho nos ensina que a religião pura, diante de Deus, é outra
coisa.


Tiago traça a definição correta, afirmando: “A religião pura e imaculada para com Deus, o Pai, é esta: visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações e guardar-se da corrupção do mundo.”


Em suma, a religião irrepreensível da alma, perante a Divina Providência, segundo
no-la confirma a Doutrina Espírita em seus postulados, repousa, acima de tudo, no
serviço ao próximo e no caráter ilibado, ou melhor, na caridade incessante e na
tranqüilidade da consciência.
Capítulo 140 - Diante Da Justiça 🌹

“Meus irmãos, que aproveita alguém disser que tem fé e não tiver obras?
Porventura, a fé pode salva-lo?” (Tiago, 2:14).


Estranha a norma do homem, quando julga possuir as chaves da Vida Superior,
simplesmente por manter a fé, como se bastasse apenas à convicção para que se realize  serviço determinado.


Comparemos fé e obras com a planta e as construções.


Sem plano adequado, não se ergue edifício em linhas corretas.


Note-se, porém, que o aleijão arquitetônico, improvisado sem plano, ainda serve, em
qualquer parte, para albergar os que jornadeiam sem rumo, e o projeto mais nobre, sem a
concretização que lhe corresponda, não passa de preciosidade geométrica, sentenciada ao arquivo.


Um viajante transportará consigo vasta coleção de croquis pelos quais se levantará toda uma cidade, mas, se não dispõe de uma tenda a que se abrigue durante o aguaceiro, decerto que os desenhos, conquanto respeitáveis, não impedirão que a chuva lhe encharque os ossos.


Possuir uma fé será reter uma crença religiosa; no entanto, cultivar a fé significa observar
segurança e pontualidade, na execução de um compromisso.


Ninguém resgata uma dívida unicamente por louvar ao credor.


À vista disso, não nos iludamos.


Asseguremos-nos de que não faltará a Bondade Divina, mas construamos em nós a humana bondade.


Por muito alta a confiança de alguém no Poder Maior do Universo, isso, por si só, não lhe
confere o direito de reclamar o bem que não fez.
Capítulo 141 - Hospitalidade 🌹

“Não vos esqueçais da hospitalidade, porque, por ela, alguns, não o sabendo, hospedaram os anjos.”
– Paulo. (Hebreus, 13:2)


É provável que nem sempre disponhas dos recursos necessários à hospedagem de companheiros da casa.


Obstáculos e vínculos domésticos, em muitas ocasiões, determinam impedimentos.


Se a parentela ainda não se compraz contigo, na cultura da gentileza, não é justo violentes a harmonia do lar, estabelecendo discórdia, em nome do Evangelho que te recomenda servi-los.


Nada razoável empilhar amigos, em espaço irrisório, impondo-lhes constrangimentos, à conta do bem-querer.


Todos nós, porém, conseguimos descerrar as portas da alma e oferecer acolhimento moral.


Nem todos os desabrigados se classificam entre os que jornadeiam sem teto.


Aqui e ali, surpreendemos os que vagueiam, deserdados do apoio e convivência...


Observa e tê-lo-ás no caminho, a te pedirem asilo ao entendimento.


Dá-lhes uma frase de coragem, um pensamento de paz, um gesto de amizade, um momento de atenção.


Às vezes, aquele que hoje se reergue com a tua migalha de amor é quem te vai solucionar as necessidades de amanhã, num carro de bênçãos.


Não te digas inútil, nem te afirmes incapaz.

Ninguém existe que não possa auxiliar alguém, estendendo o agasalho da simpatia pelos fios do coração.
Capítulo 142 - No Bem De Todos 🌹

“Sejam vossos costumes sem avareza,
contentando-vos com o que tendes, porque ele disse: “não te deixarei, nem te desampararei.” – Paulo. (Hebreus, 13:5.)


Encarna-se e reencarna-se o Espírito na Terra, a fim de aperfeiçoar-se no rumo das Estâncias Superiores do Universo.


Não te encarceres, assim, nos tormentos do supérfluo que a avareza retém, como sendo recurso indispensável à vida, na cegueira com que inventa fantasiosas necessidades.


O dono do pomar não comerá dos frutos senão a quota compatível com os recursos do
estômago.


O atacadista de algodão vestirá uma camisa de cada vez.


Entretanto, o cultivador e o negociante serão abençoados nos Céus se libertam os valores
que administram, em louvor do trabalho que dignifica, da educação que eleva, da
beneficência que restaura ou da, fraternidade que sublima.


Atendamos aos deveres que as circunstâncias nos atribuem, acalentando ideais de melhoria, mas aprendamos a contentar-nos com o que temos, sem ambicionar o que não possuímos, em matéria de aquisições passageiras, a fim de conquistarmos, sem atritos desnecessários, os talentos que nos faltam.


Ainda não se viu homem no mundo, cercado de tesouros infrutíferos, que se livrasse, tão somente
por isso, das leis que regem o sofrimento e a enfermidade, a velhice e a morte.


Respeitemos os princípios Divinos do bem para todos.


Confiemos, trabalhando. Caminhemos, servindo.


“Não te deixarei, nem te desampararei” – disse-nos o Senhor.


Sim, o Senhor jamais nos deixará, nem nos desamparará, mas, se não queremos
experiências dolorosas, espera naturalmente que não nos releguemos à ilusão, nem lhe
desprezemos a companhia.
Capítulo 143 - Ao Clarão Da Verdade🌹

“Porque noutro tempo éreis trevas, mas agora sois luz do Senhor;
andai como filhos da luz.” – Paulo (Efésios, 5:8).


Curiosas estatísticas mencionam aproximadamente as quotas de tempo que a
criatura humana despende com a vigília e com o sono, com o trabalho e com o entretenimento.


Muito importante para cada um de nós, porém, um balanço pessoal, de quando em quando, acerca das horas gastas com lamentações prejudiciais.


Óbvio que quase todos nós atravessamos obscuros labirintos, antes de atingirmos adequado roteiro espiritual.


Em múltiplas circunstâncias, erros e enganos povoaram-nos a mente com remorsos e arrependimentos tardios.


Isso, todavia, não justifica o choro estanque.


Motorista sensato não larga um carro, atravancando a pista, porque haja perdido os
freios ou sofrido desajustes. O desleixo deporia contra ele, acrescentando-se, ainda, a
circunstância de criar, com isso, perigoso empeço ao trânsito.


É possível tenhamos estado em treva até ontem...


Provavelmente, quedas temerosas ter-nos-ão assinalado experiências transcorridas...


Achávamos, contudo, na condição de viajor que jornadeia circulado de sombras, tropeçando aqui e além, sem o precioso discernimento. Hoje, no entanto, que tudo se faz claro em derredor, fujamos de dramatizar desencantos ou fixar desacertos, através de queixas e recriminações que complicam e desajudam, ao invés de simplificar e auxiliar.


Assevera Paulo, refletidamente: “Porque noutro tempo éreis trevas, mas agora sois a luz do Senhor; andai como filhos da luz.”.


Raras pessoas conseguirão afirmar que desconhecem as tentações e os riscos do
nevoeiro, mas todos nós, presentemente transformados ao clarão da verdade, podemos
caminhar trilha adiante, renascidos na alvorada do conhecimento superior para o trabalho
da luz.
Capítulo 144 - Exemplificar 🌹

“Respondendo, então, disse-lhes Jesus
“Ide e anunciai...” (Lucas, 7:22)


Através de todas as nações, o homem levanta realizações notáveis, nas quais se lhe exalça (exaltar: tornar alto, levantar, elevar) o egoísmo inteligente.


Em toda a parte, repontam obras santuárias, solicitando moderação e corrigenda, para que o abuso de poucos não agrave as aflições e as necessidades de muitos.


Entretanto, porque o raciocínio rogue confrontações claras para estudos corretos,
reconheçamos o realce, conquanto vazio e por vezes ruinoso (prejudicial, mau, nocivo),
de semelhantes cometimentos.


Ninguém nega a amenidade do edifício caprichosamente construído para festas inúteis,
embora não se lhe possa louvar o destino.


É indiscutível a preciosidade do iate de luxo, não obstante seja tão-somente dedicado ao
excesso.


Inegável a feição deleitosa de um jardim suspenso, mesmo quando não passe de apêndice arquitetônico.


Belo o espetáculo da fonte luminosa por distração na praça pública, apesar de se manter muito longe do proveito de um simples chafariz.


Analisando essas empresas, na lógica do Espiritismo, somos, contudo, impelidos a
reconhecer que os amigos afeiçoados ao supérfluo estarão agindo dessa forma por falta de esclarecimento e orientação.


A experiência terrestre na atualidade não desconhece que é preciso ensinar aos homens
a arte de alimentar e vestir, conversar e conviver, a fim de que haja saúde, euforia, compreensão e harmonia na Humanidade.


Disse Jesus, em várias ocasiões, aos seguidores: 


“Ide e pregai...”

Nada justo, assim, reprovar sem consideração os companheiros que ainda se encontram
involuntariamente distantes das realidades do espírito. Onde o desperdício apareça por
flagelo da ignorância, iniciemos a construção da verdade pelo exemplo da sobriedade, na
certeza de que, em toda tarefa de educação, exemplificar é explicar.
Capítulo 145 - Enquanto Temos Tempo 🌹

“... Enquanto temos tempo, façamos bem a todos...” – Paulo.(Gálatas, 6:10).

Às vezes, o ambiente surge tão perturbado que o único meio de auxiliar é fazer silêncio com a luz íntima da prece.


Em muitas circunstâncias, o companheiro se mostra sob o domínio de enganos tão extensos que a forma de ajuda-lo é esperar que a vida lhe renove o campo do espírito.


Aparecem ocasiões em que determinado acontecimento surge tão deturpado que não dispomos de outro recurso senão contemporizar com a dificuldade, aguardando melhores dias para o trabalho esclarecedor.


Repontam males na estrada com tanta força de expansão que, em muitos casos, não há remédio senão entregar os que se acumpliciam com eles às conseqüências deploráveis que se lhes fazem seguidas.


Entretanto, as ocasiões de construir o bem se destacam às dezenas, nas horas do dia-a-dia.


Uma indicação prestada com paciência...


Uma palavra que inspire bom ânimo...


Um gesto que dissipe a tristeza...


Um favor que renova a aflição...


Analisemos a trilha cotidiana.


A paz e o concurso fraterno, a explicação e o contentamento são obras morais que pedem serviço edificante como as realizações da esfera física.


Ergue-se a casa, elemento a elemento.


Constrói-se a oportunidade para a vitória do bem, esforço a esforço.


E, tanto numa quanto noutra, a diligência é indispensável.


Não vale esperança com inércia.


O tijolo serve na obra, mas nossas mãos devem buscá-lo.
Capítulo 146 - Sirvamos Em Paz 🌹

"Não estejais inquietos por coisa alguma..." - Paulo. (Filipenses, 4:6)

Quase que em toda a parte encontramos pessoas agoniadas, sem motivo, ou exaustas, sem razão aparente.


Transitam nos consultórios médicos, recorrem a casas religiosas, suplicando prodígios, isolam-se na inutilidade, choram de tédio. Confessam desconhecer a causa dos males que as assoberbam; clamam, infundadamente, contra o meio em que vivem...


É que, via de regra, ao invés de situarem a mente no caminho natural da evolução, atiram-na aos despenhadeiros da margem.


Que a Terra hospeda multidões de companheiros endividados, tanto quanto nós mesmos, todos sabemos... A imprensa vulgar talha colunas e colunas dedicadas à tragédia, certas
publicações cultivam o hábito de instalar a delinquência, conflitos explodem insuflando a
rebeldia dessa ou daquela camada social, profetas do pessimismo adiantam escuras
previsões...


Isso tudo acontece, isso tudo é inevitável.


Urge, no entanto, não dar, aos acontecimentos contrários à harmonia da vida, qualquer
atenção, além da necessária. Basta empregar exageradamente a energia mental, num
escândalo ou num crime, para entrar em relação com os agentes destrutivos que os
provocaram. Ofereçamos ao repouso restaurativo ou à resistência ao mal mais tempo que o tempo indispensável e cairemos na preguiça ou na cólera que nos desgasta as forças.


Se consumimos alimento deteriorado, rumamos para a doença; se repletamos o cérebro
de preocupações descontroladas, inclinamo-nos, de imediato, ao desequilíbrio.


Imunizando-nos contra semelhantes desajustes, exortou-nos o apóstolo Paulo: "não estejais inquietos por coisa alguma", como a dizer-nos que compete a nós outros, os que elegemos Jesus por Mestre, a obrigação de andar no mundo, ainda conturbado e sofredor, sem gastar tempo e vida em questões supérfluas, prosseguindo, firmes, na
estrada de entendimento e serviço que o Senhor nos traçou.
Capítulo 147 - Mãos Em Serviço 🌹

“E Jesus, estendendo as mãos, tocou-o dizendo; “quero, sê limpo...”.
( Mateus, 8:3).


Mãos estendidas!...


Quando estiverdes meditando e orando, recorda que todas as grandes idéias se derramaram, através dos braços, para concretizarem as boas obras.


Cidades que honram a civilização, indústrias que sustentam o povo, casa que alberga a família, gleba que produz, são garantidas pelo esforço das mãos.


Médicos despendem largo tempo em estudo para a conquista do título que lhes confere o direito de orientar o doente; no entanto, vivem estendendo as mãos no amparo aos enfermos.


Educadores mergulham vários lustros na corrente das letras, adquirindo a ciência de manejá-las; contudo, gastam longo trecho da existência, estendendo as mãos no trabalho da escrita.


Cada reencarnação de nosso espírito, exige braços abertos do regaço maternal que nos acolhe.


Toda refeição, para surgir, pede braços em movimento.


Cultivemos a reflexão para que se nos aclare o ideal, sem largar o trabalho que no-lo realiza.


Jesus, embora pudesse representar-se por milhões de mensageiros, escolheu vir ele próprio até nós, colocando mãos no serviço, de preferência em direção aos menos felizes.


Pensemos nele, o Senhor. E toda vez que nos sentirmos cansados, suspirando por repouso indébito, lembremo-nos de que as mãos do Cristo, após socorrer-nos e levantar-nos, longe de encontrarem apoio repousante, foram cravadas no lenho do sacrifício, do qual, conquanto escarnecidas e espancadas, ainda se despediram de nós entre a palavra do perdão e a serenidade da bênção.
Capítulo 148 - No Bom Combate 🌹

“Combater o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé”- Paulo.
( II Timóteo, 4:7.)


Nas lides da evolução, há combate e bom combate.


No combate, visamos aos inimigos externos. 


Brandimos armas, inventamos ardis, usamos astúcias, criamos estratégia e, por vezes, saboreamos a derrota de nossos adversários, entre alegrias falsas, ignorando que estamos dilapidando a nós mesmos.

No bom combate, dispomo-nos a lutar contra nós próprios, assestando baterias de vigilância em oposição aos sentimentos e qualidades inferiores que nos deprimem a alma.


O combate chumba-nos o coração à crosta da Terra, em aflitivos processos de reajuste, na lei de causa e efeito.


O bom combate liberta-nos o espírito para a ascensão aos planos superiores.


Paulo de Tarso, escrevendo a Timóteo, nos últimos dias da experiência terrestre, forneceu-nos preciosa definição nesse sentido. Ele, que andara em combate até o encontro pessoal com o Cristo, passou a viver no bom combate, desde a hora de
entrevista com o Mestre. Até o caminho de Damasco, estivera em função de louros
mundanos, ávido de dominações transitórias, mas, desde o instante em que Ananias o recolheu enceguecido e transtornado, entrou em subalternidade dolorosa.


Incompreendido, desprezado, apedrejado, perseguido, encarcerado várias vezes, abatido
e doente, jamais deixou de servir à causa do bem que abraçara com Jesus, olvidando males e achaques, constrangimentos e insultos. Ao término, porém, da carreira de semeador da verdade, o ex-conselheiro do Sinédrio, aparentemente arrasado e vencido,
saiu da Terra na condição de verdadeiro triunfador.

segunda-feira, 25 de setembro de 2017

Capítulo 149 - Todos Os Dias 🌹

“...e eis eu que estou convosco, todos os dias, até a consumação dos séculos.”-Jesus. ( Mateus, 28:20 ).

Não te digas sem a inspiração de Jesus para adotar rumo certo.


A atualidade terrestre mostra cientificamente que a comunhão espiritual não depende do espaço ou do tempo.


Podes fitar um orientador da comunidade e colher-lhe a palavra, a longa distância, através da televisão...


Conversar com um amigo, de um continente a outro, com o auxílio do telefone...


Escutar o cantor predileto, que atua de longe, por intermédio do rádio...


Recolher a mensagem de alguém, na tira de um telegrama...


Acompanhar, nas colunas da imprensa, o cronista simpático que nunca viste em pessoa...


Assim também, nossas ligações com o Cristo de Deus.


Jesus não é o mestre ausente ou símbolo morto. Ainda e sempre, é para nós, os que declaramos aceitar-lhe a governança, o mentor vigilante e o exemplo vivo.


Basta recapitular-lhe as lições para refleti-lo. E, ao retrata-lo em nós, segundo as nossas acanhadas concepções, receberemos dele a idéia ou o socorro de que careçamos, a fim de escolher com acerto e agir com justiça.


Prometeu-nos o Mestre, ao falar aos discípulos:


- “Eis que eu estou convosco, todos os dias, até à consumação dos séculos.”


Como é fácil de perceber, o Senhor está conosco, esperando, porém, que estejamos com ele.
Capítulo 150 - Sempre Agora 🌹


“... eis aqui agora o tempo aceitável, eis aqui agora o dia da salvação.”-Paulo. (II Coríntios, 6:2 ).

Há também uma sinonímia para as estâncias da vida e oportunidades da alma.
Todas as circunstâncias significam ocasiões para o cultivo de valores do espírito, como sejam :


saúde - edificação;
moléstia – aprimoramento;
juventude- preparo;
madureza – juízo;
prosperidade – construção;
penúria – diligência;
êxito – serviço;
fracasso – experiência;
direção – exemplo;
subalternidade – cooperação;
regozijo – prudência;
tristeza – coragem;
liberdade – disciplina;
compromisso – fidelidade;
casamento – aprendizado;
celibato – abnegação;
trabalho – dever;
repouso – proveito.


As mais diversas situações do cotidiano expressam a vinda de momento adequado
para que venhamos a realizar o melhor.


Não te ponhas, assim, a aguardar o futuro para atender à procura da verdade e à lavoura do bem.


O apóstolo Paulo, profundo conhecedor das necessidades humanas, indica
acertadamente o tempo da elevação espiritual como sendo sempre agora.
Capítulo 159 - Aprendamos , No Entanto ...
Capítulo 151 - Rogar🌹

“ ...Não se faça a minha vontade, mas a tua.” – Jesus. (Lucas, 22:42).

É comum a alteração de votos que formulamos, de planos que fazemos.


Vários propósitos que se nos erigiam na alma, por anseios aflitivos do sentimento, caem, após realizados, nos domínios do trivial, dando lugar a novos anseios.


Petições que endereçamos à Vida Maior, em muitas ocasiões, quando atendidas, já nos encontram modificados por súplicas diferentes. O que ontem era importante para nós costuma descer para linhas da vulgaridade e o que desprezávamos antigamente, não poucas vezes passa à condição de essencial.


Forçoso, desse modo, rogar com prudência as concessões da vida.


Poderes superiores velam por nossas necessidades, facultando-nos aquilo que
nos é efetivamente proveitoso.


Em circunstâncias diversas, acontecimentos que nos parecem males são bens que não chegamos a entender, de pronto, e basta analisar as ocorrências da vida para percebermos que muitas daquelas que se nos afiguram bens resultam em males que nos dilapidam a consciência e golpeiam o coração.


Todos possuímos amigos admiráveis que se comovem à frente de nossas rogativas, empenhando influência e recurso por satisfazer-nos, prejudicando-se, freqüentemente, em nome do amor, por nossa causa, de vez que nem sempre estamos habilitados a receber o que desejamos, no que se refere a conforto e vantagem.


Aprendamos, assim, a trabalhar, esperando pelos desígnios da Justiça Divina sobre os nossos impulsos.


Importante lembrar que o próprio Cristo, na fidelidade a Deus, foi constrangido também a dizer: “Pai, não se faça a minha vontade, mas a tua”.
Capítulo 152 - Descansar🌹

“E ele disse-lhes: vinde vós, aqui à parte, a um lugar deserto, e repousai um pouco; porque havia muitos que iam e vinham e não tinham tempo para comer.” ( Marcos, 6:31 )

Pressa e agitação caracterizam o ambiente das criaturas menos avisadas em todos os tempos.


Na época de Jesus, muita gente já ia e vinha aqui e acolá, sofrendo a pressão de exigências da ida material, acreditando não dispor de tempo para pensar.


Isso fez que o Mestre se dirigisse à multidão, exortando: “vinde vós, aqui à parte, a um lugar deserto, e repousai um pouco”.


Entretanto, assim como aparecem os que exageram as próprias necessidades, caindo em precipitação, temos os companheiros que se excedem no descanso, encontrando, a cada passo, motivos para a fuga do dever a cumprir. À vista de embaraços mínimos, declaram-se fatigados, desiludidos, deprimidos ou enfermos, e param a máquina do serviço que lhes compete, recolhendo-se à inércia, com o pretexto de meditação, refazimento, virtude ou prece. 


Para isso, muitos dizem que o próprio Jesus
aconselhou o repouso e a oração, esquecendo-se de que o Senhor reconstituía as forças no retiro, a fim de tornar ao serviço e prosseguir trabalhando...


Nesse sentido, convém recordar as palavras textuais do Evangelho. Jesus não afirmou: repousai quanto quiserdes, mas sim, repousai em pouco.
Capítulo 153 - Conceito De Salvação🌹

“... Eis agora o tempo sobremodo oportuno, eis agora o dia da salvação.”
– Paulo. (II Coríntios, 6:2).


Salvar, em sinonímia correta, não é divinizar, projetar ao céu, conferir santidade a alguém através de magia sublimatória ou fornecer passaporte para a intimidade com Deus.


Salvar, em legítima significação, é “livrar de ruína ou perigo”, “conservar”, “defender”, “abrigar” e nenhum desses termos exime a pessoa da responsabilidade de se conduzir e melhorar-se.


Navio salvo de risco iminente não está exonerado da viagem, na qual enfrentará naturalmente perigos novos, e doente salvo da morte não se forra ao imperativo de continuar nas tarefas da existência, sobrepujando percalços e tentações.


O Evangelho não deixa dúvidas quanto a isso. 


Pedro, salvo da indecisão, é impelido a
sustentar-se em trabalho até a senectude das forças físicas. Paulo, salvo da crueldade, é
constrangido a esforço máximo, na própria renovação, até o último sacrifício.


Se experimentas o coração chamado à verdade pela Doutrina Espírita, compreendamos que a salvação terá efetivamente chegado até nós.


Não aquela que pretende investir-nos,
ingenuamente, na posse de títulos angélicos, quando somos criaturas humanas, com
necessidade de aprender, evoluir, acertar e retificar-nos, mas sim a salvação no
verdadeiro sentido, isto é, como auxílio do Alto para que estejamos no conhecimento de
nossas obrigações, diante da Lei, dispostos a esposá-las e a cumpri-las.


Sobretudo, não nos detenhamos em frases choramingueiras, perdendo mais tempo sobre
o tempo perdido. Reconheçamos com o apóstolo eu “o tempo sobremodo oportuno” para a salvação ou, melhor, para a corrigenda de nossos Erros e aproveitamento da nossa vida, chama-se agora.
Capítulo 154 - Nas Trilhas Da Fé 🌹



“Simão Pedro, servo e apóstolo de Jesus Cristo, aos que conosco obtiveram fé igualmente preciosa...”
– Pedro. (II Pedro, 1:1)


Em muitas ocasiões, admitimos erroneamente que os grandes vultos do Cristianismo terão obtido privilégios nas Leis Divinas; entretanto, basta a reflexão nas realidades do Evangelho, para que nos capacitemos da sem-razão de semelhante conceito.


Simão Pedro nos fala da fé “igualmente preciosa” e raros vultos da história do Cristo poderão competir com ele em matéria de renovação pessoal.


Era ele pescador de vida humilde, homem quase iletrado, comprometido em obrigações de família, habitante de aldeóla paupérrima, seguidos do Evangelho submetido a tentações e vacilações que, por algumas vezes, o fizeram cair; entretanto,
guindou-se à posição de apóstolo da causa mais alta da Humanidade, ampliou seus
conhecimentos, adquiriu importância fazendo-se condutor e irmão da comunidade, liderou
a ideia Cristã, nas metrópoles do teu tempo e, de cada vez que se viu incurso em erro,
procurou corrigir-se e seguir adiante, no desempenho das obrigações que lhe eram
atribuídas.


Realmente, não possuímos qualquer justificativa para isentar-nos do serviço de auto-educação, à frente do Cristo, sob a alegação de que não recolhemos recursos imprescindíveis à solução dos problemas do próprio burilamento para a vitória espiritual.


Pedro, com a autoridade do exemplo, afirma-nos que, diante da providência Divina, todos nós obtivemos valores iguais para as realizações da fé.
Capítulo 155 - Paz Em Nós 🌹

“Porque a nossa glória é esta: o testamento da nossa consciência...”
-Paulo. (II Coríntios, 1:12.).


Abraçando a renovação espiritual para a conquista da luz, quase sempre somos contraditados pelas forças da sombra, qual se tivéssemos o coração exposto a todas as críticas destrutivas.


Cultivas bondade e afirmam-te idiota.


Mostras paciência e imaginam-te poltrão.


Esqueces golpes sofridos e chamam-te covarde.


Praticas a humildade e apontam-te por tolo.


Falas a verdade e supõem-te obsesso.


Exerces brandura e julgam-te preguiçoso.


Auxilias fraternalmente e envenenam-te o gesto.


Confias e dizem-te fanático.


Cumpres obrigações e há quem zombe de ti.


Entretanto, a despeito de todas as dúvidas e impugnações que te cerquem os passos, segue para diante, atendendo aos deveres que a vida te preceitua, conforme o testemunho da consciência, na convicção de que felicidade verdadeira significa, em tudo, paz em nós.
Capítulo 156 - Segundo Agimos 🌹

“Mas deliberei isto consigo mesmo: não ir mais ter convosco em tristeza”.-Paulo. (II Coríntios, 2:1.).

Cautela com a tristeza, capaz de converter-se em lama de fel ou em labareda de angústia no coração.


Sentimento, idéias, palavras e atitudes são agentes magnéticos de indução para o melhor ou o pior, conforme o rumo que se lhes traça.


Queixa inútil enfraquece o otimismo, gerando desconfiança e perturbação.


Azedume corta o impulso de generosidade, aniquilando boas obras no nascedouro.


Irritação abate as forças da alma, trazendo a exaustão prematura.


Mágoa anula a esperança, arrasando possibilidades de trabalho.


Desespero queima o solo do ideal, exterminando a sementeira do bem.


Se aspiras a construir, planta benevolência e serenidade, entendimento e abnegação na gleba da própria alma.


Todos dependemos uns dos outros, na desincumbência dos compromissos que nos competem. A vida, porém, através de todos aqueles que nos partilham a marcha, reage sobre nós, segundo agimos; em vista disso, para a execução da tarefa que nos cabe, quantos caminham ao nosso lado apenas colaboram conosco, na pauta de nosso auxílio, dando-nos isso ou aquilo, no tanto e na espécie daquilo ou disso que venham a receber.
Capítulo 157 - Na Construção Do Mestre🌹

“Ora, vós sois o corpo do Cristo e seus membros em particular”. – Paulo.(I Coríntios, 12:27).

O Evangelho não nos convida à confiança preguiçosa nos poderes do Cristo, qual se estivéssemos assalariados para funcionar em claques de adoração vazia.


O apóstolo Paulo faz-nos sentir toda a extensão da responsabilidade que nos compete à frente da Boa Nova.


Cada Cristão é parte viva do corpo de princípios do Mestre, com serviço em particular.


Não te iludas, assim, fixando-te exclusivamente em afirmações labiais de fé no Senhor, sem adesão do próprio esforço ao trabalho edificante que nos foi reservado.


Sentindo, pensando, falando e ainda nessa ou naquela ocorrência, é indispensável compreender que é preciso sentir, pensar, falar e agir, como se o Mestre estivesse sentido, pensando, falando e agindo em nós e por nós.


Alguém provavelmente dirá que isso seria atrevida superestimação de nós próprios; entretanto, apesar de nossas evidentes imperfeições, é forçoso começar a viver  no Senhor para que o Senhor viva onde nos cabe viver.


Para isso, perguntemos diariamente a nós mesmos como faria Jesus o que estamos fazendo, porque, sendo o Cristo o dirigente e mentor de nossa fé, todos nós, servos dele, somos chamados, no setor da atividade individual, a defini-lo e tratá-lo com
fiel expressão.
Capítulo 158 - Vontade Divina 🌹

“E não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos
pela renovação do vosso entendimento para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus”. – Paulo.(Romanos, 12:2.).


Expressa-se a Vontade de Deus pelas circunstâncias da existência; todavia, devemos apreendê-la na essência e no rumo, o que nos será claramente possível.


Não só pelos avisos religiosos que nos ajudam a procurá-la.


Nem pelos constrangimentos da Terra, que nos impelem a compromissos determinados.


Nem pelos preceitos sociais que nos resguardam em disciplina.


Nem pela voz dos amigos que nos apóiam a caminhada.


Nem pelos acicates da prova que nos corrigem os sentimentos.


A fé ilumina, o trabalho conquista, a regra aconselha, a afeição reconforta e o sofrimento reajusta; no entanto, para entender os Desígnios Divinos a nosso respeito, é imperioso renovar-nos em espírito, largando a hera do conformismo que se nos arraia no íntimo, alentada pelo adubo do hábito, em repetidas experiências no plano material.


Recebamos o auxílio edificante que o mundo nos ofereça, mas fujamos de contemporizar com os enganos do mundo, diligenciando burilar-nos cada vez mais, porque educação conosco é clarão no âmago da própria alma e por muito brilhemos por
fora, no jogo das ocorrências temporárias da estância física, nada entenderemos da luz
de Deus que nos sustenta a vida, sem luz em nós.

domingo, 24 de setembro de 2017

Capítulo 160 - Reconheçamos Porém 🌹

“... Mas se alguém não tem o Espírito do Cristo, esse tal não é dele”.
– Paulo. (Romanos, 8:9)


Todos necessitamos de chamamento ao Evangelho, todos atravessamos o período da
fome de informações, acerca de Cristo. E, aderindo às interpretações do ensinamento
Cristão a que mais nos ajustamos, não raro confiamos apaixonadamente as manifestações superficiais de nossa fé.


Partilhamos assembléias seletas ou humildes, nos templos materiais, o que, sem dúvida, nos dignifica o pensamento religioso.


Integramos equipes de propaganda dos pontos de vista que esposamos, o que, realmente, nos evidencia o zelo das atitudes.


Cultivamos discussões acirradas, por demonstrar a validade de nossas opiniões, o que, na essência, nos revela o fervor.


Adotamos hábitos exteriores, às vezes até mesmo em assuntos de alimentação e convenção social, com o decidido propósito de testemunhar, publicamente, a nossa maneira de sentir, o que, no fundo, nos patenteia a sinceridade de sempre louvável.


Em muitas circunstâncias, oramos, segundo fórmulas especiais, obrigamo-nos a devoções particulares; formamos círculos de atividades afins, a isolar-nos dentro deles; ou carregamos dísticos que nos especificam a confissão...


Todas as manifestações externas, que lembrem o nome de Jesus e que se reportem, de qualquer modo, às lições de Jesus, são recursos preciosos, constituindo-se em sugestões edificantes para o caminho. 


Reconheçamos, porém, que a palavra do Evangelho é demasiado clara ao proclamar a necessidade do Cristo em nossa vida, sentimento, idéia, ação e conduta, quando afirma convincente: 

“Mas se alguém não tem o Espírito do Cristo,
esse tal não é dele”.
Capítulo 161 - Nos Padrões De Jesus 🌹

"E renovai-vos pelo espírito do vosso sentir." - Paulo. (Efésios, 4:23)

Transformações ocorrem muitas.


Temos aquelas, devidas às usanças do tempo, em que somos convidados a seguir conforme as prescrições da moda...


Entramos, habitualmente, em algumas, capazes de aprovisionar-nos com facilidades de ordem humana, através de corporações que nos valorizem os interesses...


Conhecemos outras que nos atingem os costumes, por imposição da família terrestre, para que se não percam determinadas conveniências...


Experimentamos várias outras ainda, em que o recurso a certas legendas exteriores nos
faculta o apoio de autoridades transitórias do mundo...


Todas essas mudanças são suscetíveis de enriquecer-nos com abençoadas ocasiões de
melhorar e reconstruir os valores que nos cercam, com vista ao cultivo do bem e à vitória do bem.


Metamorfose essencial, entretanto, para nós será sempre aquela que nos alcance o imo da alma.


O apóstolo Paulo impele-nos à renovação pelo sentimento, à luz do Evangelho. Isso equivale a dizer que, para renovar-nos, em verdade, no modelo do Cristo, é necessário, acima de tudo, sentir nos padrões do Cristo, para pensar, observar, ouvir, ver e agir com acerto, na realização da tarefa que o Cristo nos reservou.
Capítulo 162 - Tende Fé Em Deus 🌹

"E Jesus, respondendo, disse-lhes: tende fé em Deus." - (Marcos, 11:12.)

Bastas vezes, as dificuldades na concretização de um projeto elevado se nos afiguram inamovíveis.


Começamos por reconhecer-lhes o peso inquietante e estimáveis companheiros acabam por destacar-nos a importância delas, como a dizer-nos que é preciso renunciar ao bem que pretendemos fazer.


Tudo, aparentemente, é obstáculo intransponível...


Mas Deus intervém e uma porta aparece.


Há circunstâncias, nas quais o problema com que somos defrontados, numa questão construtiva, é julgado insolúvel.


Passamos a inquietar-nos e, não raro, especialistas no assunto comparecem junto de nós, apontando-nos a impraticabilidade da solução.


As obscuridades crescem por sombras indevassáveis...


Mas Deus interfere e desponta uma luz.


Em certas ocasiões, uma pessoa querida, ao perturbar-se de chofre, fornece a impressão
de doente irrecuperável.


Afligimo-nos ao vê-la assim em desequilíbrio e, quase sempre, observadores amigos comentam a inexequibilidade de qualquer melhoria, induzindo-nos a largá-la ao próprio infortúnio.


Avoluma-se a prova que lembra angústia inarredável...


Mas Deus determina e surge um remédio.


Ocorrem-te no mundo as mesmas perplexidades, em matéria de saúde, família, realizações.


Salientam-se fases de trabalho em que a luta é suposta invencível, com absoluto desânimo daqueles que te rodeiam, mas Deus providencia e segues, tranqüilo, à frente.


Por mais áspera a crise, por maior a consternação, não percas o otimismo e trabalha, confiante.


Ouçamos, nós todos, a indicação de Jesus:


- "Tende fé em Deus".